Post

Instituto Cultural Brazilian Pipers

Um projeto social para jovens de comunidades carentes

Atualmente a Brazilian Pipers é uma das maiores bandas de gaiteiros de fole do estado do Rio de Janeiro, com 30 integrantes ativos e a pioneira no município de São Gonçalo. Ela nasceu da ideia do maestro José Paulo, sub-oficial da reserva, que trabalhou na Banda dos Fuzileiros Navais durante 30 anos como músico gaiteiro, sendo 12 anos como solista de gaita de fole – Mestre de Naipe.  Mais conhecido pela tropa como J. Paulo, o militar entrou para a corporação com o intuito de aprender a tocar o instrumento e a Marinha do Brasil subsidiou parte de seus estudos sobre a gaita de fole no Reino Unido – UK. A primeira formação iniciou em 1999, quando o maestro começou a tocar sua gaita de fole em apresentações musicais particulares em diferentes eventos pelo Brasil intitulando-se como Brazilian Piper – “Gaiteiro Brasileiro”.

Em 2002 passou a se apresentar com apenas quatro gaiteiros na Banda Sinfônica Campesina Friburguense, onde faz parte até os dias atuais.

Em 2004, foi convidado para participar junto a uma Banda Escolar de Fanfarra da rede pública de ensino, para tocar em um Festival de Música em São Gonçalo/RJ, e a partir de então, começou a ministrar aulas de música prestando serviços voluntários nas escolas da periferia do município. Ao observar a curiosidade dos alunos sobre a gaita de foles, e tendo em vista o benefício que traria a estes jovens o interesse pela música celta, introduziu os ensinamentos deste instrumento aos alunos que se dispuseram a aprender. Desta forma, iniciou seu projeto social que ensina a arte de tocar gaitas de fole às crianças e jovens da periferia. Desta época até os dias atuais, este projeto vem se expandindo e reunindo um grande número de jovens gaiteiros, formando uma das maiores bandas de gaitas de fole do Rio de Janeiro.

De fato, aprender a tocar gaita de fole não é uma tarefa fácil para o brasileiro e a única forma de conseguir dar os primeiros sopros é procurar aulas particulares, pois os instrumentos são importados e caros. No caso do Brazilian Pipers, as aulas são ministradas de forma gratuita, onde a banda conta com os ensinamentos técnicos do mestre J. Paulo. Estas aulas só são possíveis porque o mestre fuzileiro naval constrói de forma artesanal as próprias gaitas, os uniformes e os adornos, pois o projeto não possui patrocínio.

A iniciativa deu tão certo, que a Banda foi convidada para participar da “Premiação Patrícia Acioli de Direitos Humanos”, representando o município de São Gonçalo, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, um dos palcos mais importante para o artista brasileiro.

Por ser um projeto social sem fins lucrativos o Brazilian Pipers visa principalmente educar jovens carentes da periferia da cidade de São Gonçalo através da música, utilizando a cultura escocesa e as gaitas de fole, como instrumento não apenas de música, mas de inclusão social e também, como recurso para o ensino de valores, civismo, patriotismo, disciplina, ordem unida, força de vontade e companheirismo de modo a propiciar um desenvolvimento saudável, longe das ruas, do contato com as drogas, da prostituição e da marginalidade.

Com determinação e disciplina, o grupo ganhou adeptos e passou a realizar diversas apresentações em São Gonçalo/RJ e também em diversos estados brasileiros como Salvador, Minas, São Paulo, Brasília, Espirito Santo e Sergipe. Ganhou destaque na mídia nacional e internacional sendo convidados para participar de diversos programas de televisão, documentários e reportagens. Realizou apresentações junto a artistas famosos como Luan Santana, Martinho da Vila e com o maior gaiteiro do Mundo o Carlos Nûnes. Também participou de orquestras como a da PMRJ, Fuzileiros Navais, Academia da Força Aérea, Exército Brasileiro, Corpo de Bombeiros, Orquestra Sinfônica de São João de Meriti, Orquestra Municipal de Campos, Batalhão de Guarda Presidencial entre outros. Todas estas apresentações serviram como experiência profissional, mas o projeto rendeu tantos frutos que atualmente muitos daqueles meninos adotaram a música como profissão e já formaram suas próprias bandas ou seguiram carreira solo e outros já estão formados no ensino superior através de bolsas de estudos doadas por faculdades em troca de apresentações em datas comemorativas da instituição.

Graças a estas bolsas, jovens que não possuíam nenhuma perspectiva de futuro, hoje encontram-se formados no curso superior, em veterinária, arquitetura, engenharia, Tecnologia da Informação! Através da arte musical e acreditamos também que, seguindo o meu exemplo do Mestre J. Paulo, temos alunos que passaram em concursos públicos para incorporar nas fileiras das forças armadas como soldados e também como sargentos músicos na Banda dos Fuzileiros Navais RJ e na Banda da Guarda Presidencial – BGP Brasília, que este ano de 2017 realizou o primeiro concurso público para sargento músico especialização em gaita de fole.

Em janeiro de 2014, o projeto social formalizou-se constituindo-se como  Instituto Cultural Brazilian Piper”, vindo a inaugurar sua sede no bairro do Porto da Pedra/SG, em março de 2016, onde funciona a Escola de Gaitas de Fole Escocesa para crianças, jovens e adultos. 

A Associação, consciente da importância da música como um dos instrumentos de educação, socialização e cidadania, desenvolve ações que além de diminuir a exposição de crianças e jovens às situações de risco social, ainda destacam o município de São Gonçalo no cenário artístico e cultural do Estado do Rio de Janeiro.

O Maestro J. Paulo tem como objetivo principal, diminuir o tempo ocioso dos jovens para que eles fiquem longe das ruas e das vulnerabilidades sociais. Espera com isto, promover o desenvolvimento social e o acesso à cultura, oferecendo a base necessária, para que os alunos tenham uma educação repleta de novos conhecimentos e habilidades que possam emergir um potencial transformador.

Seu lema principal é: “Não formo músicos, e sim homens!”